Acordava, se arrumava, entrava em um veículo retangular.
Tudo era de fato uma composição de linhas retas.
Entrava em um prédio quadrado.
E tudo e todos eram da mesma maneira.
Mesma forma sem variação, sempre linhas verticais e horizontais, na mesma maldita ordem.
E lá passava quase metade do seu dia.
E escrevia tudo com suas letras amórficas, na visão dos outros.
Pegava o veículo retangular, e via em todos os rostos linhas de expressão inuteís de diversas formas.
Não se importava afinal.
Tudo o que tem uma linha é previsível dizia.
Um dia foi surpreendido por um sujeito que queria o papel que trazia na carteira, porém não o entregou.
Foi atingido por um objeto cilíndrico no peito, ficou surpreso, sangrou e morreu.
Descobriu da pior maneira que nem tudo nem tudo era uma linha reta aparentemente.
Deitado, com o seu sangue amórfico manchando parte de uma rua.
E pediu que escrevessem em sua lápide :
"Foi apenas mais uma linha, sem imporância para as demais formas."
P.S: Só não me pergunte como pensei em coisas desse tipo além do que odeio geometria matemática e afins :D
E se quiséssemos parar o tempo?
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