E se quiséssemos parar o tempo?

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Recompensa

Desde pequeno, queria ser soldado, logo que obteve a idade necessária inscreveu-se.
Foi aceito com as melhores notas, e logo foi se mostrando o melhor de sua unidade.
Logo estava ingressando em missões de salvamento, sendo o melhor combatente, logo foi subindo de patente, recebendo medalhas de condecoração, e sendo requisitado em missões da ONU e também de seu próprio país, sempre demonstrou imenso amor pelo seu país, desde pequeno sonhava em defender seu país, e aquilo era como realizar um sonho, afinal ele estava lutando pelo que julgava ser certo, sem nunca perguntar a si mesmo ou ao seus superiores o porquê de estar fazendo aquilo, afinal o país era mais importante e as ordens que lhe eram passadas deviam ter sido bem analisadas.
Dormia feliz ao saber que fazia de tudo para melhorar o mundo, e por mais problemas que surgiriam, não haveria problema, não é?
Mesmo com sua patente alta, não dispensava estar junto das tropas e participar das missões, e seguia com orgulho, mesmo matando guerrilheiros, terroristas, agitadores, mesmo contra sua vontade, era o que diziam-lhe ser certo, e sempre que um companheiro era atingido, fazia questão de carregá-lo, e não se importava de se sujar com sangue, e seguir com seu heroísmo e sonho de uma quase utopia.
Em meio a uma operação foi surpreendido, e uma bala varou-lhe o peito, inspirado pelo heroísmo que achava ter passado para os demais, pediu ajuda aos companheiros, enquanto seu sangue escorria pelo chão.
Um soldado ajoelhou-se e disse que tudo o que ele sempre havia feito era em vão, e que nada ia mudar o mundo, e que não adiantava lutar contra nada disso, levantou-se e mandou que os outros soldados continuassem a seguir em frente e a combater os inimigos.
E ele ficou ali no chão, esquecido, como se nunca tivesse existido, e toda sua recompensa foi uma breve salva de tiros, e a bandeira de seu país em cima de seu caixão.

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