E se quiséssemos parar o tempo?

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Espetáculo

E nada mais faz sentido.
E nada tem um significado.
Eu queria ser especial.
Pelo menos pra alguém
Porquê não?
Sombrio, parado com um tremendo cansaço, cansado de ouvir as mesmas coisas, as mesmas desculpas, choros e discussões.
Olha para o alto, onde vê um sino que anuncia alegoricamente:
MOR TE.
MOR TE.
MOR TE.
"- Ah, triste sino, até tu me incentivas...


MOR TE.
MOR TE.
MOR TE.

De fato tudo conspirava contra ele, inclusive tristes canções que o faziam pensar, sobre o que ele acrescentaria algo ao mundo, se ele seria mais um anônimo que se foi sem deixar nada a acrescentar no texto histórico de sua espécie, não deixarar por egoísmo quem sabe...
Estava cansado de pessoas que não tinham tempo pra ele.
Estava cansado de pessoas que estavam ocupadas demais pra ele.
Estava cansado de esperar que "um dia" tudo melhorasse.



Mas nem tinha muito com o que se preocupar, homem nenhum dura muito.
De fato, homem algum dura muito.
Talvez seja melhor.
Prove que será melhor.
Diga que ainda existe algo que eu possa fazer.

E o espetáculo está em sua frente:
"-Ah, doce utopia."
"- E o que você vai querer hoje?"
"- Um pouco menos de tristeza, talvez."
"- Está aqui."
"- Não lhe agradeço porque não posso agradecer por isso."

E o espetáculo começa!
E a platéia?
E a platéia? Afinal quem é a platéia?!
A platéia são os palhaços estarrecidos, que olham para aquele corpo jogado ao chão.

Uma voz pergunta:
"- O que aconteceu?"
"- Ele quis deixar de viver."


Eu não preciso disso.
Eu não mudo minha maneira de escrever por um e-mail.
Eu definitivamente não preciso disso.

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